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Nomes compostos e agnomes
Nome composto é o prenome formado por mais de uma palavra, como Maria Eduarda ou João Pedro; agnome é o elemento posto no fim do nome, como Filho, Júnior, Neto ou Sobrinho, para distinguir parentes de nome igual. No Censo 2022, o IBGE contou só a primeira palavra do prenome: quem se chama Maria Eduarda entra na contagem de Maria.
Em resumo
- Nome composto: É um prenome com duas ou mais palavras. A Lei de Registros Públicos fala em “duplo prenome” (art. 63).
- Agnome: Filho, Júnior, Neto e Sobrinho vão no fim do nome e distinguem pessoas da mesma família com nome igual.
- Agnome obrigatório: Se o nome escolhido for idêntico ao de outra pessoa da família, o cartório exige um agnome no fim (Provimento CNJ 149/2023, art. 515-B, § 7º).
- Contagem do IBGE: O Censo 2022 considera apenas o primeiro nome informado. Maria Eduarda conta como Maria, João Pedro como João.
- Neste site: Os números de cada página são os da primeira palavra, nunca os de um nome composto inteiro.
O que é um nome composto
No registro civil, o nome tem duas partes: o prenome, que a família escolhe, e o sobrenome, que indica a ascendência. O prenome pode ter mais de uma palavra, e é isso que se chama de nome composto: Maria Eduarda, João Pedro, Ana Júlia, José Carlos. A Lei 6.015/1973 trata disso de forma direta num caso: gêmeos com o mesmo prenome devem ser registrados “com duplo prenome ou nome completo diverso”, para que possam ser distinguidos, e a mesma regra vale para irmãos a quem se queira dar o mesmo prenome (art. 63 e parágrafo único). O Código Nacional de Normas do CNJ diz que o prenome é de livre escolha dos pais e que, quando a família escolhe um nome comum, o oficial deve orientá-la sobre a conveniência de acrescentar prenomes ou sobrenomes para evitar homonímia (art. 515-B, caput e § 4º). Na vida adulta, a pessoa pode mudar o prenome uma vez no cartório, sem precisar dar motivo, e essa mudança pode acrescentar, suprimir ou inverter elementos (art. 515-D, § 1º). Ou seja, também é possível ganhar ou perder a segunda palavra do prenome.
Os compostos nos registros de nascimento
Os cartórios registram o nome inteiro, e por isso os dados do registro civil conseguem contar nomes compostos. O Portal da Transparência do Registro Civil publica uma lista separada de nomes compostos registrados por período. Na lista de 2025, consultada em outubro de 2026, Maria Cecília aparecia em primeiro lugar, seguida de Maria Alice e Maria Helena, e João Miguel e João Pedro estavam entre os primeiros colocados. Esses números contam nascimentos registrados, e não pessoas vivas, e mudam à medida que novos registros entram no sistema.
Como o IBGE conta um nome composto
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1. A coleta
Na lista de moradores do Censo 2022, o recenseador anotou no campo “nome” o primeiro nome ou o nome composto de cada pessoa, e no campo “sobrenome” os demais sobrenomes (Nota Técnica 01/2025).
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2. A limpeza
O IBGE excluiu palavras de uma letra, palavras de duas letras iguais e os conectivos “da”, “das”, “de”, “des”, “do”, “dos”, “di”, “dis”, “du” e “dus”.
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3. O primeiro nome
O primeiro nome foi separado no primeiro espaço em branco. Para a divulgação, só ele foi considerado.
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4. O resultado
Maria Eduarda entra em Maria; João Pedro entra em João. A segunda palavra não é contada.
O que isso muda nos números
O total de Maria no Censo 2022, 12.284.478 pessoas, reúne todas as pessoas cujo prenome começa com Maria: quem se chama só Maria e quem se chama Maria Eduarda, Maria Clara, Maria Cecília e assim por diante. Já as 181.846 pessoas contadas como Eduarda são só as que têm Eduarda como primeira palavra do nome. O mesmo vale para os nomes masculinos: os 3.430.608 registros de João incluem João Pedro e João Miguel, e os 1.624.478 de Pedro contam apenas quem tem Pedro como primeiro nome. Por isso, os números do censo não servem para saber quantas pessoas se chamam Maria Eduarda ou João Pedro, e um nome muito usado como segunda palavra pode ter, no censo, um total bem menor do que o número de pessoas que o usam.
O que é um agnome
A palavra vem do latim agnomen e, na origem, era o apelido que os romanos acrescentavam ao nome de alguém para destacar uma virtude ou um feito (Michaelis). O Priberam o define como o nome que se pospõe ao cognome. No Brasil, o termo designa os elementos postos no fim do nome para distinguir parentes de nome igual. O Michaelis registra Júnior como “o filho homem cujo pai tem o mesmo nome”. Uma decisão de 2022 da 2ª Vara de Registros Públicos de São Paulo, citando a doutrina jurídica, descreve o agnome como uma forma de perpetuar o nome de um parente e, ao mesmo tempo, distinguir as pessoas e marcar o parentesco entre elas, como ocorre com Filho, Neto e Sobrinho (Portal do RI).
Os agnomes mais usados
Júnior
Usado quando o filho tem o mesmo nome do pai. Costuma aparecer no fim do nome e pode ser abreviado (Jr.).
Filho
Também marca o filho que recebe o nome do pai.
Neto
Marca a pessoa que recebe o nome de um avô.
Sobrinho
Marca a pessoa que recebe o nome de um tio.
O agnome no registro
O Código Nacional de Normas do CNJ, com a redação dada pelo Provimento 153/2023, diz: se o nome escolhido for idêntico ao de outra pessoa da família, “é obrigatório o acréscimo de agnome ao final do nome a fim de distingui-los” (art. 515-B, § 7º). A mesma regra vale quando um adulto altera prenome ou sobrenome (art. 515-N). O contrário também aparece na prática dos cartórios. Na decisão de 2022 citada acima, o caso era o de uma criança registrada com o agnome Filho sem ter o nome idêntico ao do pai, e o juízo reafirmou que o agnome serve para distinguir membros da mesma família com nomes idênticos. Num debate da Corregedoria paulista noticiado pela Arpen-SP em 2014, a orientação apresentada foi a mesma: o agnome não deve ser posto no fim se o pai, o tio ou o avô não tiver o nome igual. No mesmo debate, foi lembrado que Júnior colocado antes do sobrenome passa a funcionar como prenome.
Posição e Júnior como prenome
Um estudo publicado na revista Crátilo (2019) observa que nenhuma lei federal determina em que posição do nome o agnome deve aparecer; por tradição, Júnior vem no fim. O mesmo estudo nota que os dados do IBGE mostram Júnior usado também como prenome. No Censo 2022, 87.633 pessoas tinham Junior (o IBGE escreve sem acento) como primeira palavra do nome. Esse número não conta os agnomes: um Júnior que está no fim do nome, depois do sobrenome, não aparece na contagem de prenomes do IBGE, que considera apenas o primeiro nome.
Como cada nome entra na contagem do IBGE
| Nome registrado | Contado como |
|---|---|
| Maria Eduarda | Maria |
| João Pedro | João (JOAO) |
| Ana Júlia | Ana |
| Pedro Henrique … Filho | Pedro (o agnome não entra) |
| Júnior César | Junior |
Perguntas frequentes
Quantas pessoas se chamam Maria Eduarda no Brasil?
O Censo 2022 não responde a essa pergunta, porque conta só a primeira palavra do nome: todas as Marias Eduardas estão dentro do total de Maria. Os dados do registro civil contam nomes compostos, mas medem nascimentos registrados, não a população.
O IBGE conta o agnome?
Não. O Censo 2022 divulga só o primeiro nome. Filho, Júnior, Neto ou Sobrinho no fim do nome não entram na contagem de prenomes.
Posso usar Júnior se o nome não for igual ao do pai?
Pelas normas do CNJ, o agnome serve para distinguir pessoas da família com nome idêntico, e a decisão de 2022 da 2ª Vara de Registros Públicos de São Paulo seguiu esse entendimento num caso de agnome Filho sem nome idêntico ao do pai. Júnior posto antes do sobrenome funciona como prenome.
O agnome é obrigatório?
Sim, quando o nome escolhido é idêntico ao de outra pessoa da família (art. 515-B, § 7º, do Código Nacional de Normas).
Um adulto pode tirar ou acrescentar a segunda palavra do prenome?
Pode, uma vez, no cartório e sem precisar justificar: a alteração do prenome inclui acrescentar, suprimir ou inverter elementos (art. 56 da Lei 6.015 e art. 515-D do Código Nacional de Normas).
Fontes
- IBGE, Censo Demográfico 2022, Nota Técnica 01/2025: Nomes no Brasil · censo2022.ibge.gov.br
- Lei nº 6.015/1973 (Lei de Registros Públicos), texto compilado, Planalto · planalto.gov.br
- Provimento CNJ nº 149/2023 (Código Nacional de Normas do Foro Extrajudicial) · atos.cnj.jus.br
- Portal da Transparência do Registro Civil · transparencia.registrocivil.org.br
- Portal do RI: 2ª VRP/SP, “O agnome é usado para distinguir membros de uma mesma família com nomes idênticos” (2022) · portaldori.com.br
- Arpen-SP: “Diálogos com a Corregedoria” debate as questões atuais do Registro Civil (2014) · arpensp.org.br
- Crátilo, v. 12, n. 2 (2019): Um estudo dos antropônimos Júnior e Junio em nomes civis · revistas.unipam.edu.br
- Michaelis: júnior · michaelis.uol.com.br
- Michaelis: agnome · michaelis.uol.com.br
- Priberam: agnome · dicionario.priberam.org
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